Especial

Dia Internacional da Mulher

De onde eu venho, mulheres – brancas, negras, indígenas, asiáticas – sofrem algum tipo de violência a cada cinco minutos, todos os dias. De onde venho, as ruas não são seguras e restringem nosso direito de ir e vir livremente. No meu país, a sociedade me culpa pelas roupas que visto e o batom que uso: “provocativo demais, curto demais, bonita demais”, dizem.

O Brasil ocupa a 85ª posição em desenvolvimento humano e igualdade de gênero e o 121º lugar no ranking de participação das mulheres na política. De onde venho, homens ganham até 30% a mais que suas colegas mulheres na mesma posição profissional.

No meu país existe uma lei que procura amparar e reduzir casos de violência contra mulher. Por outro lado, o irrisório número de delegacias especializadas e casas de proteção às vítimas não acolhe minhas irmãs em todos os quatro cantos do meu país-continente. Por lá, vejo mães solteiras sem acesso a educação ou sistema de saúde adequados e sem companheiros para dividir responsabilidades.

A lista é grande. A realidade é dura – bem mais áspera para outras mulheres do que foi para mim, é importante reconhecer. Mas eu quero que saiba que podemos enfrentar esses percalços juntas. Vamos nos acolher e aprender juntas a enfrentar tudo isso.

Mulheres unidas se tornam mais fortes. Sororidade é a melhor das ferramentas para enfrentar o machismo.

Do lado de cá

Atualmente, vivo em um país que está na 10ª posição entre os países com melhor igualdade de gênero. O gap salarial entre homens é de 12% a mais que mulheres. A cada cinco funcionários públicos e legisladores, dois deles são mulheres.

Por aqui, na Nova Zelândia, eu não tenho a preocupação diária de que vou sofrer algum tipo de violência na rua de um desconhecido ou familiar. Não é um lugar perfeito e é complexo comparar a mesma realidade com a brasileira. Os contextos históricos, sociais e políticos dão cor e forma ao cenário. Mas que tal nos unirmos e enfrentarmos esses desafios juntos?

Vamos praticar a empatia e escutar as lutas do outro?
Vamos praticar a empatia e escutar as lutas do outro?

Tire seu ódio do caminho que eu quero passar

Que tal utilizar o Dia Internacional da Mulher  para escutar suas colegas mulheres? Apenas escute, solidarize-se, lute junto com elas, entenda a realidade delas. Você colega homem, recolha suas defesas e sua opinião, dê passagem para que elas tenham voz. Não nos diga como nossa luta deve ser feita, não aponte dedos, não nos silencie.  Divida tarefas e nos escute – escute com o coração, humanize-se. Pratique sua empatia e contribua para que elas, as mulheres na sua vida, contem suas histórias e suas lutas.

E para acalentar seu coração, amiga-irmã, lembre-se que você é seu próprio lar.

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Comunicóloga freelancer e expatriada. Curiosa por novas histórias e idealizadora do Além do Mar. Escreve com o propósito de solucionar problemas de uma maneira mais leve - ou para organizar o caos mental vez ou outra. =)

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