Especial

Histórias de uma jornalista pela Oceania

Depois de produzir um post sobre alguns dos blogs que acompanho, aproveitei para entrevistar alguns desses produtores de conteúdo e conhecer de perto o projeto deles. Uma dessas conversas que tive foi com a Thaís Sabino do Jornalista Itinerante. O blog dela também está na minha lista quando busco por dicas de viagem ou quando quero olhar projetos criados por colegas jornalistas. 

A Thaís é de Santo André (SP), tem 29 anos e atualmente mora em Numurkah, no estado Victoria, na Austrália. Ela morou um ano na Nova Zelândia: “Minha experiência foi maravilhosa. Dura, me bateu, me abraçou, me ensinou e me fez crescer muito. No final, porém, o saldo é muito positivo. Sou uma outra pessoa”, declara.

Com o desejo de compartilhar a jornada dela pelos lugares por onde passa, ela criou o Jornalista Itinerante. O blog surgiu ainda no Brasil e a produção e edição de tudo que vai ao ar é feita pela jornalista. Vem conferir um pouco mais dessa conversa com ela, vale a pena a leitura! Depois me conta o que você achou. 

Thaís, como surgiu o Jornalista Itinerante? 

O Jornalista Itinerante surgiu como uma forma de poder registrar meu amor por viagens e por fazer o planejamento. Sou daquelas pessoas que faz mil pesquisas antes de viajar, imprime mapas e roteiros, faz programas para cada dia. Com o blog passei a ter esses registros para mim e também para ajudar outras pessoas.

 

O que você faz para continuar viajando? Como é o equilíbrio financeiro para possibilitar todas essas aventuras?

Tem que trabalhar, né, não tem jeito! Eu comecei a guardar dinheiro em 2008 com a ideia de passar um tempo fora e a viagem só aconteceu em 2014, foram anos de expectativa. Como jornalista, consigo fazer trabalhos freelancer, o que ajuda, mas tanto na Nova Zelândia como aqui na Austrália já trabalhei com várias outras coisas. É preciso focar e trabalhar para poder aproveitar depois. Eu sou do tipo de viajante que não liga para luxo e compras. Adoro acampar e conhecer a realidade dos lugares, o que faz as viagens ficarem mais baratas. 

Jornalista Itinerante (Arquivo pessoa)
Jornalista Itinerante (Arquivo pessoal)

Mas quando foi que o “bicho das viagens” te pegou de vez e você saiu pelo mundo?

Bom, lembro que sempre gostei de viajar, minha mãe gostava também. Mas a primeira vez que viajei sozinha, sem os pais, foi para Trindade, com um grupo de amigos em 2006. Depois comecei a acampar por vários lugares no Brasil. Trabalhando, consegui juntar dinheiro para fazer alguns mochilões fora do país, até chegar 2014, quando embarquei para a Nova Zelândia.

Ainda existe muito tabu e medo quando se fala em mulheres viajando sozinhas. Como driblar o machismo que teima em rotular viajantes em boa parte do mundo? O que você pensa a respeito disso? Já passou por alguma situação que te levou à refletir sobre o tema?

O machismo existe e infelizmente faz com que muitas mulheres deixem de viajar por estarem sem a companhia de um homem para “protege-las”. Eu recebo mensagens de mulheres com receio de viajar sozinhas. Mas acredito que essa cultura tem mudado, vejo cada vez mais mulheres viajando sozinhas, passando por cima dos comentários dos pais (muitas vezes preocupados) amigos e etc, e embarcando nessa aventura.

Em outros países, principalmente na Europa, a prática de a mulher viajar sozinha é bem disseminada, e essa cultura do machismo é baixíssima. Quando eu decidi ir para um mochilão de dois meses pela Austrália e outros dois pela Ásia, o que mais ouvi foi “sozinha?”, “eles assediam mulheres lá”, “é muito perigoso para mulher”… Eu penso que é preciso saber o país para onde se está indo, conhecer a cultura local e agir de forma consciente.

 

Jornalista Itinerante (Arquivo pessoa)
Jornalista Itinerante (Arquivo pessoal)

Quando estava na Tailândia e no Camboja, fui abordada algumas vezes, ouvi homens chamando. Foi muito desagradável, sim, mas não deixaria de ir por conta disso. O que eu fiz para me sentir mais segura foi ir a lugares iluminados, onde outros turistas também estavam. Eu acredito que quanto mais mulheres viajarem sozinhas, mais fraco esse rótulo vai ficar. E pessoas que jamais viajaram sozinhas deveriam evitar disseminar esse tipo de cultura machista que inibe outras mulheres de fazer as malas e cair no mundo.

Agora mudando um pouco de assunto. Qual dessas viagens foi inesquecível ou te marcou de alguma forma mais profunda? Por que?

Com certeza a viagem que mais marcou e mudou a minha vida foi para a Nova Zelândia, porque mudou completamente o curso dos meus planos e futuro. Em 2014, decidi passar um ano na Nova Zelândia, seria isso, juntar dinheiro para viajar pela Ásia e voltar para casa, para o jornalismo, a reportagem que eu tanto amo. Mas as coisas mudaram, minha cabeça mudou, a forma de ver o mundo, os valores e quase três anos depois estou vivendo uma vida completamente diferente da que eu tinha e da que eu imaginei.

Jornalista Itinerante (Arquivo pessoa)
Jornalista Itinerante (Arquivo pessoal)

A Nova Zelândia me deu algo que há muito tempo eu procurava, a simplicidade, no sentido de viver simples, pensar simples, agir simples. Uma vida mais leve. Conheci pessoas de várias partes do mundo, fiz amizades mesmo quando existiam barreiras culturais e ganhei uma independência que pensei jamais existir. Viajar para a Nova Zelândia e depois explorar lugares fora da minha zona de conforto na Austrália e Ásia me deram confiança e autoconhecimento. Sem falar na paz que hoje carrego comigo, é como se fosse uma bagagem que ninguém pode tirar de você.

O que mais te surpreendeu em relação à cultura neozelandesa?

O que mais me fisgou na Nova Zelândia foi a liberdade e a simplicidade. A Nova Zelândia tem uma clima muito relax de viver, muito tranquilo, não existe esse furacão de consumismo, modinhas e superficialidade que domina em outros países. Você de veste como quer e NINGUÉM te olha diferente, não importa quem você seja. As pessoas são muito mais ligadas a coisas importantes do que às banais. Diria que é uma cultura mais profunda, mais real.

Alguma dica essencial para novos visitantes nas terras kiwis?

Diria para ir com a cabeça aberta e para aproveitar cada momento, porque a Nova Zelândia tem uma mágica que é só dela. Também para não confundir Austrália e NZ. Mergulhar na cultura Maori e não deixar de fazer trilhas, escaladas e viagens pelas paisagens naturais desse país.

Jornalista Itinerante (Arquivo pessoa)
Jornalista Itinerante (Arquivo pessoal)

Atualmente você mora na Austrália. Como você foi parar na Austrália? Como tem sido a adaptação por aí?

Bom, durante minha viagem pela Ásia, conheci uma pessoa e cá estou, rs. Mesmo após um ano, considero que estou na fase de adaptação. Dessa vez, eu viajei sem data para voltar, então o peso é bem maior. Acho que a distância da família e amigos é o que mais pesa. Ainda não consigo chamar aqui de casa, mas a Austrália é um país incrível, não tem como negar. Se eu pudesse levar toda a segurança e qualidade de vida daqui para o Brasil, seria perfeito!

E a questão profissional, você ainda trabalha com Jornalismo ou alguma área correlata?

Eu faço freelas como repórter e trabalho em uma atração turística, o Cactus Country, como um bombril: coordeno toda a comunicação, marketing, eventos, redes sociais, mas também recebo turistas e sirvo cafézinho.

Jornalista Itinerante (Arquivo pessoa)
Jornalista Itinerante (Arquivo pessoal)

 

Para finalizar, como você espera que a Thaís e o Jornalista Itinerante estejam daqui um ano? Quais os próximos passos? Onde estará morando e o que terá feito?

Essa é uma pergunta difícil. Como eu disse, sou uma pessoa que gosta de planejar, mas esse ano está sendo um show de surpresas. Tenho dois diferentes planos na cabeça, um em que eu permaneço na Austrália por mais tempo, viajando por aqui e mais pela Ásia (sonho em conhecer a China); no outro eu me mudaria para um país mais perto do Brasil, já que meus pais moram lá e essa distância pesa bastante. Sobre o Jornalista Itinerante, eu espero que o blog cresça ainda mais com mais destinos e informações para os viajantes. Em breve vou inaugurar uma parte de Europa! Além disso, estou planejando investir mais na produção de vídeos voltados à natureza, trilhas, fauna e flora.

 

Conheça o Jornalista Itinerante
Acesse: http://jornalistaitinerante.com/

 

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