Carreira

Histórias de voluntariado na Nova Zelândia

Anteriormente publiquei um texto aqui no blog com dicas e informações para quem quer ser voluntário – link aqui no final desse post. Os passos são simples e existem opções para diferentes perfis. Para entender um pouco mais sobre o que motiva as pessoas a fazer voluntariado, eu entrevistei algumas brasileiras que estão morando na Nova Zelândia.

O post está repleto de dicas e inspiração para você encontrar o local mais próximo e fazer parte do grupo! =)

Uma vez educadora, sempre educadora

Heloisa Lopes. Arquivo Pessoal

Heloisa Lopes, tem 39 anos e por nove anos se dedicou aos ensino de Filosofia e Sociologia em uma escola pública de Ensino Médio em São Paulo. Ela está há apenas 4 meses no país e buscou o voluntariado porque sentia falta de lecionar e achou interessante o fato de conseguir boas referências profissionais como voluntária. “Eu estava me sentindo bem sozinha aqui. Pesquisei por igrejas próximas de casa e encontrei a St Paul’s Church. Fui à missa e anunciaram que precisavam de voluntários para trabalhar com crianças. Entrei em contato com eles por email e pouco tempo depois comecei a trabalhar com eles”, conta.

Ela contribui na escola dominical com crianças de cinco e seis anos. A equipe recebe instruções por e-mail e diversas atividades e brincadeiras são desenvolvidas com os pequenos, enquanto os pais estão na missa. São 20 crianças com essa faixa etária e 3 líderes. Cada líder fica responsável por um pequeno grupo de até sete crianças. “É bastante interessante. Foi uma boa oportunidade para me aproximar e entender melhor os kiwis (a maioria dos pais e crianças são kiwis de família britânica). Como estou na NZ há pouco tempo, conviver com estudantes estrangeiros é uma experiência única”, explica.

St Paul's Church website
St Paul’s Church website

Com planos de voluntariar até o fim deste ano, ela conta que no início, mesmo com inglês quase fluente, o frio na barriga foi inevitável. “Conversar com crianças é outra história. Muitas vezes, elas ainda não pronunciam as palavras direito ou não conseguem usar sinônimos para explicar algo que não entendo. Por outro lado, elas são amáveis e parecem não ter problemas em entender o que eu falo. Fiquei bem apreensiva quando tive o primeiro grupo de seis crianças na minha frente e tive que explicar uma historinha para eles, mas deu tudo certo”, relembra.

Foi a partir do voluntariado que Heloisa conseguiu o emprego como casual relief teacher – espécie de professora temporária – em duas creches de Auckland. “Eu recomendo o voluntariado. Além da sensação boa que o altruísmo traz, há a possibilidade de vivenciar situações que, no dia-a-dia, não seriam possíveis. Para um estrangeiro, é uma boa maneira de se integrar na comunidade local“, sugere.

Caminho para a empatia

Camila. Arquivo Pessoal

Você sente falta de animais e gostaria de ajudá-los de alguma forma? A Camila Fracaro é Analista de Dados, 30 anos, e é voluntária no SPCA (Society for the Prevention of Cruelty to Animals)  trabalhando no cuidado e resgate de animais abandonados. “Comecei voluntariando na parte dos cachorros dando banho, passeando e passando um tempo com eles. Agora eu sou motorista deles também e coleto doações em supermercados, resgate de animais doentes que alguém deixou em algum veterinário ou outros locais”, explica.

Ainda no Brasil, Camila costumava participar de eventos e ações voluntárias, nada muito constante. Ela já está há dois anos no SPCA e pretende permanecer até quando for possível. “Você sente a diferença no comportamento dos cachorros por só passar uma manhã do seu mês lá com eles. Vou continuar sim. Já como motorista fazem só alguns meses e eu passo o dia inteiro lá. É bom, mas pode ser bem triste porque você vê muito animal bem doente e às vezes eu levo para o SPCA pra ser eutanasiado. Confio

Site do SPCA com serviços e atividades.
Site do SPCA com serviços e atividades.

neles pra saber quando o animal esta muito doente e precisam tomar essas medidas, mas não deixa de ser triste”, lamenta. O bom humor e a sensação boa de que está ajudando de algum modo, desde então fazem parte do cotidiano dela.

Quando perguntei se ela recomendaria o “servir” para outras pessoas, ela foi certeira: “Com certeza. Acho que faz bem para você e para os outros. Afinal, habitamos no mesmo planeta, temos que ter empatia por todos”.

Se joga no voluntariado!

Marcela no Imagination Station - arquivo pessoal
Marcela no Imagination Station – arquivo pessoal

Marcela Vitória tem 26 anos e mora em Christchurch há um ano e meio. Ela é voluntária na Imagination Station, “um espaço de educação e diversão que tem LEGO como ferramenta principal para todas as atividades”, conta. A instituição estimula criatividade e interação dos visitantes com as peças gigantes de LEGO, além de workshops de aprendizagem como: LEGO Stop Motion, LEGO Mindstorms e LEGO Technics.

A Marcela encontrou esse lugar mágico logo na primeira semana na Nova Zelândia e foi atrás pesquisar mais sobre as grandes peças de LEGO e o projeto da instituição. “descobrindo o centro da cidade, me deparei com esse lugar encantando com pilhas de LEGO, quando cheguei em casa pesquisei mais para entender a proposta do espaço e fiquei apaixonada. Meses depois, vi um post no Facebook de que eles precisavam de voluntários e achei que seria a oportunidade perfeita para treinar o inglês e estar rodeada de LEGO”, detalha.

O trabalho dos voluntários é recebendo os visitantes, limpando e organizando o local e estimular crianças e adultos a brincar e construir coisas diferentes com o LEGO. No Brasil, Marcela trabalhava na área de moda e marketing e ajudou a construir um projeto de educação e moda para jovens de uma comunidade carente em

Brinquedo LEGO na Imagination Station. Arquivo Pessoal

Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O projeto Desperta – Moda para a Mudança continua funcionando a todo vapor.

Com essa bagagem, Marcela também aproveita para desempenhar um pouco dessas habilidades no Imagination Station e, claro, exercitar inglês. “A barreira do idioma está sempre presente, seja ela um muro gigante ou uma cerca baixinha. Quando comecei a voluntariar na Imagination Station, ainda tinha muita vergonha de conversar casualmente, vergonha da pronúncia ou de falar errado, mas os colegas e os visitantes sempre foram compreensivos e pacientes com o meu gaguejar. Em pouco tempo perdi a vergonha e tive a oportunidade de melhorar consideravelmente a minha comunicação, tanto falada quanto escrita”, explica.

Além do aprendizado diário e do contato com pessoas de todos os cantos, ela percebe que o voluntariado transformou outros aspectos da vida dela. “Acredito que me fez uma pessoa mais empática e paciente. Doar tempo é uma das atividades mais gratificantes que existem, porque é sempre uma relação de troca, não importa o tipo de trabalho que você faz, a interação sempre traz alguma coisa positiva. Lidar com pessoas e educação me faz pensar no outro antes de tomar decisões ou falar alguma coisa, a gente passa a se entender quando em posição de privilégio e também abrir o coração para aprender sobre a vida a partir de outras perspectivas”, reflete.

Doar-se

Na tentativa de encontrar algo para preencher a rotina enquanto organiza outros aspectos da vida, Gabriela Campos Balzat, 26 anos, optou pelo voluntariado. Ela é engenheira química e está na

Gabriela Campos, arquivo pessoal.
Gabriela Campos, arquivo pessoal.

Nova Zelândia pela segunda vez e, atualmente, trabalha na Red Cross  em Browns Bay, Auckland. “Já havia muito tempo que eu queria fazer trabalho voluntário, mas no Brasil trabalhava demais e não tinha tempo. Como eu voltei para a Nova Zelândia em janeiro e não estou trabalhando formalmente desde então, achei que era a oportunidade ideal para aproveitar o meu tempo servindo. Já conhecia o trabalho da Red Cross e amo brechós e lidar com pessoas, então foi só uma questão de procurar qual era a loja mais perto da minha casa”, conta.

Como voluntária ela tem a oportunidade de exercitar diferentes habilidades entre elas: organização do estoque e doações; precificar roupas e prestar atendimento ao público. Todos os voluntários aprendem a fazer de tudo um pouco. Ela já tinha tido outras oportunidades como voluntária no Brasil e no México. “Eu adoro o ambiente da loja e ter contato com vários tipos de pessoa. Você percebe que algumas pessoas vão na loja procurando alguém para conversar, sobretudo idosos que se sentem solitários, então esta é outra forma de ajudar”, observa.

Red Cross New Zealand

Sobre a experiência, Gabriela completa: “Esse trabalho tem confirmado para mim que um dos principais problemas em um país desenvolvido e seguro como a NZ é solidão e o isolamento. Você tem contato com pessoas nessa situação o tempo todo. Eu tenho sido muito movida a procurar soluções para ajudar nessa área”.

A Red Cross (Cruz Vermelha) é uma instituição com diversas frentes entre elas: apoio a refugiados e assistência em casos de desastres naturais,  “A NZ tem muitas opções de trabalho voluntário em diversas áreas. Basta querer fazer a diferença e encontrar um projeto com o qual você se identifique. Tem muito trabalho que exige somente umas poucas horas por semana, então qualquer um pode ajudar”, indica.

 

Gostou das histórias? Então se informe, pesquise e se envolva.
Aproveita e dá uma olhada no outro post do Além do Mar com dicas sobre como encontrar voluntariado e sugestões de locais e projetos.

Como se tornar um voluntário na Nova Zelândia?

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